Suspensão de atendimento presencial deve ser avaliado para todo Estado

Marcelo Camargo - Agência Brasil

O Tribunal de Justiça publicou ontem (17/02), a Resolução Conjunta GP/CGJ n.º 03/2021 suspendendo o atendimento presencial em 27 comarcas do Oeste e Extremo Oeste, devido a gravíssima situação sanitária.

Agora, o alerta deve ser ligado para que isso ocorra nas demais regiões.

O infectologista da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE), Eduardo Campos Oliveira, se manifestou hoje (18/02), à imprensa, no sentido de que não há outro caminho senão o fechamento do comércio e outras atividades. Salientou que a notícia do início da vacinação trouxe uma sensação de “coisa resolvida”, o que não é verdade.

A taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Sistema Único de Saúde (SUS) em Santa Catarina era de 85,15%. No Oeste, não há vagas na UTI-Covid para adultos. Doze regiões de Santa Catarina estão em nível gravíssimo para a Covid-19. Outras quatro estão sinalizadas como grave, de acordo com relatório da imprensa.

Desde o início da pandemia nos posicionamos no sentido de que o retorno só acontecesse seguindo um rígido protocolo de segurança elaborado pela UFSC, que apresentamos à Administração, em julho de 2020. O protocolo segue recomendação das principais autoridades de saúde do mundo.

No documento, a orientação é que o retorno presencial com 30% só deveria acontecer se:

  • Número de casos diários no Estado diminuindo sucessivamente durante os últimos 15 dias;
  • Número de óbitos diários no Estado diminuindo sucessivamente durante os últimos 15 dias;
  • Ocupação de leitos de UTI no SUS < 60%

Posteriormente ao debate da época, a Administração do TJSC se manifestou na mesma linha, conforme podemos ver AQUI:

Covid em Canoinhas: SINJUSC cobra reavaliação do presencial

TJSC é líder em casos positivos entre tribunais do Sul

SINJUSC cobra fechamento de comarcas e reforça reconhecimento da data-base

SINJUSC e OAB/SC debatem sobre a volta ao trabalho presencial

Casos de Covid19 explodem em Santa Catarina

Cenários viáveis para retorno presencial

Servidores do presencial testam positivo pra Covid-19

Sempre antecipado, atuação forte do SINJUSC garante home office

Quase 80% da categoria sente-se insegura de voltar ao trabalho presencial

Comissão de Saúde nas Comarcas

Sempre nos pautamos pelo diálogo com o Tribunal, levamos vários relatos dos servidores que extraímos durante as reuniões de base, que iniciamos em 2020 e retornaremos na próxima semana. Durante os encontros, formamos Comissão de Saúde em cada local de trabalho como forma de monitorar a saúde do servidor e também de como a comarca está seguindo, ou não, as condições sanitárias. Por isso, convocamos os colegas a participarem dos próximos diálogos e colaborarem no diagnostico e tomada de decisões. Veja AQUI quando estaremos na sua comarca, nessa primeira rodada de 2021.

Estado sem gerência

O Estado de Santa Catarina está longe de controlar a pandemia e as decisões tomadas são incoerentes e ineficazes com a situação. Somente nas duas semanas de fevereiro, os casos ativos aumentaram 26%, segundo boletim semanal do Núcleo de Estudos de Economia Catarinense (Necat) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O coordenador do Núcleo, professor Lauro Mattei, critica que o Brasil segue medidas curativas e não preventivas e que o Plano Nacional de Imunização (PNI), que começou em 18/01/2021, além de extremamente lento, prescinde do elemento essencial: a vacina em quantidades suficientes para dar maior celeridade ao processo de imunização de 70% da população brasileira. Aqui no Estado, a vacinação também segue lenta: das 298,1 mil doses recebidas até agora, 130,338 foram aplicadas (primeira dose) e apenas 20.504, como  segunda dose. Isso significa que, segundo levantamento do NSC total, Santa Catarina aplicou apenas metade das doses recebidas.

O governo justifica que precisa de mais doses, mas há cidades catarinenses que nem atingiram 50% de aplicação das doses recebidas. Os prefeitos por sua vez, cobram do governo mais agilidade e pressão por novas doses. Mas o governo prefere transferir a responsabilidade e flexibilizar medidas de controle.

SC é a 4ª em número de registros

Ainda segundo o último boletim do Necat, Santa Catarina registrou nas primeiras semanas de fevereiro, 18.095 novos casos e 196 novos óbitos. Com isso, até o momento mais 613 mil pessoas já foram contaminadas no estado, sendo que 6.727 delas perderam suas vidas. Em função disso, SC aparece em 4º lugar no ranking nacional dentre os Estados com maior número de registros da doença e em 12º lugar com o maior número de óbitos.

Monitoramento

A medida de suspender o atendimento no Oeste foi acertada. No entanto, é importante observar que outras 11 regiões também estão em nível gravíssimo e com taxas de ocupação de leitos próximos do colapso. É preciso reavaliar o presencial como um todo. Vamos monitorar e seguir em diálogo com os servidores comarca a comarca e levar as ponderações ao Tribunal.

Um comentário

  1. “Sempre nos pautamos pelo diálogo com o Tribunal”.

    Até quando vamos dialogar?

    Há deputado mandando recados à Suprema Corte, já preso; há Presidente da República inapto para as responsabilidades do cargo; há Parlamento que parece saído de filme de comédia; há mais de 240 mil mortos, entre eles colegas em Lages e outros tantos servidores anônimos; há desemprego; há fome; há miséria; há desespero. Até quando vamos dialogar com quem NÃO QUER O DIÁLOGO.

    Quando os sindicatos chamarão GREVES pela VIDA? A situação é tão absurda que não se pede chamados de GREVE por melhores salários ou condições de trabalho, mas para que tenhamos certeza de viver.

    Quando os sindicatos falarão e escreverão editoriais e notícias sobre SOCIALISMO E COMUNISMO? Quando terão consciência da importância de superar o capitalismo?

    Até quando vamos dialogar?

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