O SINJUSC segue com o formulário aberto para quem fez plantão durante o recesso e diversos relatos têm sido enviados. Todos têm pontos em comum: sobrecarga de trabalho, privação de sono e de alimentação, jornadas diárias extenuantes que chegam a 14 horas e erros nos sistemas informatizados. Há, ainda, relatos de quem só conseguiu dormir fazendo uso de algum tipo de medicação, em razão do estresse causado pelo trabalho durante o plantão.
O plantão é pauta permanente do SINJUSC. A remuneração ou gozo de folgas, ampliação de equipes e a criação de uma secretaria especializada foram frutos da mobilização da categoria e da articulação política do sindicato. Mas é preciso avançar para um plantão com carga digna de trabalho.
E o caminho já foi apontado: limitação do horário de atendimento ao público, ampliação de equipes de forma completa, inclusive com mais juízes atuando, adequar o volume de trabalho às equipes disponíveis, padronização e clareza das informações na rotina de atendimento entre as instituições externas que utilizam o plantão.
O Sindicato tem insistido nesses pontos junto à Secretaria de Gestão do Plantão. Por isso, o envio de relatos é fundamental. É a partir deles que o sindicato sistematiza e demonstra ao Tribunal que o problema não é pontual, de uma ou outra comarca, mas atinge o estado inteiro. Assim, se você ainda não preencheu o formulário, responda AQUI; se já preencheu, repasse para outro plantonista.
O tema também será levado para discussão com a administração do Tribunal, que está em fase de transição e cuja nova gestão iniciará em fevereiro de 2026.
Veja abaixo alguns comentários recebidos (os relatos foram minimamente modificados para preservar o anonimato):
“Foram muitas audiências de custódia e pedidos de urgência sem relação com flagrantes. Foram mais de 60 processos em 3 dias de plantão.”
“Era tanto trabalho que os plantonistas designados não deram conta; tivemos que chamar mais pessoas para trabalhar, embora a remuneração seja apenas para os plantonistas. Foi muito estafante.”
“No plantão, você fica 24 horas de sobreaviso. É acionado o tempo todo, até de madrugada. Não dá tempo de descansar, se alimentar ou dormir. Como isso pode ser aceitável?”
“Estar de plantão é ficar em alerta constante. É um alto grau de responsabilidade e disponibilidade.”
“Foi tanto estresse que tive herpes labial. Disponibilizaram o telefone do plantão na internet e foram inúmeras ligações sem relação com o plantão. Trabalhei das 7h às 23h, sem descanso.”
“Foram cerca de 20 prisões e 20 medidas protetivas em apenas 2 dias de plantão. A demanda nas cidades litorâneas aumenta muito durante a temporada.”
“Eu não comi nem dormi direito nos dias em que fiz plantão. Telefone, WhatsApp e e-mail sem parar. Advogados pressionando. Registramos muitos casos de violência doméstica, com pedidos de medidas protetivas e audiências de custódia. Santa Catarina está gravemente enferma.”
“Mesmo depois de entregar o plantão, várias foram as noites péssimas de sono, ficava em alerta achando que o telefone iria tocar. Excessivamente desgastante
“O telefone simultaneamente com o WhatsApp não parava, pedidos a cada segundo. É impossível apenas uma pessoa dar tudo da complexidade que é fazer plantão no TJSC”
Imagine como é ser um plantonista de pronto socorro no Brasil. É isso nem é mencionado
Prezados, é urgente a criação de uma unidade específica para os plantões, óbviamente com uma remuneração justa para tanto. Do jeito que está, já é terrível para quem é da matéria criminal, imagina para o pessoal que nunca trabalhou no crime e nem em cartório. Sem falar na grande quantidade de problemas graves que podem ocorrer, o que sempre vai nas costas do servidor. Eu acho que ainda não criaram algo específico porque os juízes e os desembargadores nunca ficaram 1 minuto com o celular do plantão. Quando eu comento sobre o tanto de ligações e atendimentos que preciso fazer na madrugada, meu chefe parece não acreditar. Minha dica: deixem os juízes responsáveis pelas normativas do plantão 24hrs com o celular plantonista que a coisa vai mudar.