Para promover uma Santa Catarina que não existe ou existe apenas para poucos, o governador Jorginho Mello aumentou em 136% os gastos com publicidade em relação ao seu primeiro ano de mandato, em 2023. Somente em 2025, foram gastos R$ 216 milhões com propaganda; ao todo, são R$ 444 milhões em três anos de gestão. Soma-se a isso o volume de isenções fiscais bilionárias que, neste ano, baterão recorde: R$ 31,1 bilhões, sem contrapartidas especificadas ou, ao menos, devidamente publicadas no Portal da Transparência.
Jorginho vai na esteira de gestores públicos midiáticos que utilizam a máquina de mídia para performar seus mandatos, popularizando Santa Catarina como um estado seguro, promissor e desenvolvido. Mas a realidade entrega um estado com recordes de homicídios, falta de saneamento básico e desvalorização dos trabalhadores públicos. Bem-vindos(as) a Santa Catarina: o estado mais superestimado do Brasil.
ESTADO SEGURO PARA QUEM?
O “estado mais seguro do país” contrasta com a escalada de feminicídios e outros crimes graves. Somente nos nove primeiros dias de 2026, quatro mulheres foram vítimas de assassinato por companheiros ou ex-companheiros. Por semana, cerca de 600 mulheres recorrem à Justiça catarinense em busca de proteção e, mesmo assim, não estão seguras. Santa Catarina foi o segundo estado com maior taxa de descumprimento de medidas protetivas de urgência em 2024.
A violência no estado também se materializa nos dados do plantão judiciário do TJSC durante o recesso (entre 20/12/2025 e 06/01/2026). Segundo o Tribunal, as remessas de processos tiveram aumento de 20,13% em comparação com o ano passado. Além disso, a elaboração de atos ordinatórios, decisões e mandados cresceu 17,13%, passando de 4.004 para 4.690 no mesmo período.
A quantidade de audiências de custódia realizadas também assusta: Itajaí (127 audiências); Criciúma (126); Balneário Camboriú (123); São José (120); Joinville (103); Tubarão (87); Florianópolis (85); Jaraguá do Sul (75) e Blumenau (72).
Ao somar os dados de Itajaí e Balneário Camboriú, são 250 audiências no período do recesso, cerca de 13 audiências por dia. Trata-se de uma carga de trabalho expressiva e que tem se tornado rotina do Judiciário catarinense. O aumento de demandas nas comarcas litorâneas durante a alta temporada é pauta de negociação e tem sido ponto de preocupação do SINJUSC.
EM SC, NEM O BÁSICO EXISTE
O estado “mais promissor” do país é o mesmo que nega saneamento básico aos mais pobres. Apenas 34,8% do esgoto gerado é tratado, de acordo com dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Entre todos os municípios catarinenses, apenas São Ludgero, no Sul do estado, possui 100% de atendimento.
NÃO HÁ PROGRESSO SEM DIGNIDADE
O estado que mais “investe em desenvolvimento” é o mesmo que esquece quem consolidou as bases do serviço público: os(as) aposentados(as). Aqueles que não têm direito à integralidade e paridade amargam anos sem qualquer tipo de aumento real, e a reposição salarial, que deveria ser paga anualmente, enfrenta constantes resistências, com pagamentos atrasados. Sem aumento e cada vez com menos dignidade, os aposentados ainda sofrem com o confisco na aposentadoria, por meio do desconto de 14% nos salários.
Em campanha, Jorginho prometeu revogar os 14%, mas entregou um verdadeiro cavalo de Troia: escalonou a isenção até três salários mínimos e, no mesmo pacote, segregou os servidores em dois fundos de previdência. Isso ampliará o déficit, sufocará o sistema e reduzirá o poder de compra dos(as) aposentados(as).
A revogação do confisco segue no horizonte de luta do SINJUSC. No final de 2025, a mobilização dos trabalhadores pressionou a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), e os deputados da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovaram o fim dos 14% até o teto do INSS. Agora, sindicatos se organizam para fazer o projeto avançar nas demais comissões.
O estado que mais “performa em números” é o mesmo que esquece quem faz a máquina pública funcionar: os(as) trabalhadores(as) públicos(as). Ao avocar para si as métricas de Santa Catarina, Jorginho certifica que governa para poucos.
Os bilhões gastos com isenções, que deveriam gerar emprego, desenvolvimento sustentável e redução das desigualdades, seguem como privilégios tributários. Nenhum compromisso das empresas beneficiadas é comprovado ou devidamente publicizado, enquanto a mídia tradicional catarinense faz uma cobertura acrítica do governo, embalada por anúncios e propagandas custeadas pelos cofres públicos.
