SINJUSC responde OAB-SC sobre balcão virtual

Arquivo SINJUSC: Greve de 2015

Diálogo em resposta à OAB-SC:

Desde que o trabalho não presencial se estabeleceu de maneira massiva no TJSC em decorrência da Pandemia de COVID 19, a questão do atendimento a distância aos jurisdicionados e advogados tem sido um tema de permanente debate. Por isso, não nos causa estranhamento sua centralidade nas discussões nesta semana.

Sim, apesar da pandemia e apesar do isolamento social, é tarefa do Serviço Público, e consequentemente dos servidores, criar estratégias para garantir um atendimento célere à população. Até aí nenhum estranhamento.

Nossa surpresa decorre do relatório apresentado pela OAB junto ao ofício 142/2021-GP, no qual são utilizadas 96 páginas para indicar quantos vezes os telefones das comarcas precisaram chamar até serem atendidos – numa metodologia meio que ao estilo “um é pouco, dois é bom, três é demais”.

Qual o tempo necessário para que sejam realizadas mais de 500 chamadas telefônicas com registros em 96 páginas? Seria possível utilizar este tempo para avaliar as dificuldades no atendimento no trabalho não presencial e buscar soluções mais adequadas?

Vamos à tarefa do debate.

— Quais são os meios de comunicação que advogados e jurisdicionados têm a sua disposição para entrar em contato com os servidores nas Comarcas?

— Antes do balcão virtual as varas já contavam com 04 canais de comunicação: e-mail, whatsapp, central de atendimento eletrônico e telefone.

— E como estão organizados?

— Cada unidade tem uma organização interna, mas de uma maneira geral é possível notar que o chefe da unidade é responsável pelo e-mail e são estipulados responsáveis para os demais canais. A central de atendimento eletrônico, por exemplo, tem uma dinâmica parecida à do e-mail, mas implica em uma plataforma a mais para ser administrada pela equipe. Quanto ao telefone, é comum que os servidores façam rodízio.

— Mas as pessoas reclamam de dificuldade em conseguir ser atendido por telefone…

— Olhando as informações do relatório com calma, diferente do sentido negativo expresso no ofício, os dados depõem de maneira positiva quanto ao atendimento que está sendo prestado. Foram feitas ligações para 414 varas. Entre estas, em 62% dos casos as chamadas foram atendidas rapidamente – como definiu a própria OAB. Já em 18% dos casos o tempo de atendimento para as chamadas foi classificado como normal ou demorado. Em 20% dos casos não houve atendimento por telefone.

            — Mas isso não é muito?

            — Não, dentro do contexto em que estamos não é muito. Na verdade, neste cenário de pandemia e incertezas, e lembrando o pódio de metas nacionais em que o TJSC tem se mantido nos últimos meses, este relatório da OAB ratifica quão grande têm sido o empenho dos servidores em executar o trabalho. A OAB deveria ter um pouco mais de respeito conosco.  

            — Igual você não me respondeu…

            — Estando no fórum, o telefone toca na divisão em questão e algum dos servidores presentes poderá atendê-lo. Se um não puder, o outro o fará. No trabalho não presencial a tarefa de atender o telefone fica com apenas uma pessoa. Se ela não estiver disponível na hora, não haverá outra pessoa para substitui-la.   

            — E por que ela não estaria disponível?

            — Como eu disse acima, já existem 04 meios de comunicação disponíveis para o advogado/jurisdicionado entrar em contato com os servidores. Se ele já está atendendo em um, certamente não poderá iniciar em outro ao mesmo tempo. E tem mais, o programa de telefonia utilizado pelo TJSC não tem sinal de ocupado. Se uma pessoa ligar e o servidor estiver em uma chamada, ela não vai conseguir identificar que a linha já está ocupada. O servidor também pode ficar temporariamente indisponível por estar em uma reunião de equipe. Fora isso, ainda não conseguiram suprimir o direito dos trabalhadores de tomarem água durante o expediente, levantarem-se para dar uma esticada, comer alguma coisinha e, quem sabe, até ir ao banheiro. Fora que no relatório não estão informados os horários em que as ligações foram feitas e não há qualquer ponderação sobre problemas com internet e outros. As pessoas estão trabalhando desde suas casas de maneira improvisada porque há uma pandemia em curso. Problemas tecnológicos são frequentes.

            — Se há ainda mais 03 canais de comunicação e no telefone a pesquisa indica 80% de sucesso nas tentativas feitas, estamos falando de números bem altos.

            — É sim, alto rendimento do trabalho que tem custado muito ao trabalhador. O relatório nos causa incômodo porque a OAB conhece os problemas que temos enfrentado e sabe que há ao menos 500 vagas em aberto no primeiro grau – mas porquê falar com o TJSC se é mais fácil atacar os servidores? Nos atendimentos nos fóruns as pessoas precisam aguardar quando há outras pessoas na sua frente. Isso também acontece se você vai em um médico particular ou se você precisa fazer uma chamada para sua companhia telefônica. Ah, muitas das pessoas que nos ligam em busca de informação relatam procurar informações no fórum porque não conseguem ser atendidas por seus advogados. Quem sabe os servidores começam anotar este tipo de informação para também montar um relatório.

            — Sério?

            — Sim. Vamos pedir à Direção do TJ que baixe as nossas metas para que possamos ter tempo para calcular quantas são as pessoas que têm dificuldade para falar com seus advogados.

            — Mais alguma coisa?

            — Além de se mostrar desnecessário, um novo canal comunicação cria mais uma tarefa que tende a atrasar ainda mais as respostas que precisamos ofertar. Desse jeito, para dar conta de cinco ferramentas diferentes de atendimento vamos ter que parar de trabalhar nos processos. Fora que o balcão virtual expõe completamente a intimidade dos servidores para pessoas desconhecidas.

            — Este diálogo está bem didático.

            — É para expressar o mal-estar por termos sido tratados de maneira infantilizada pela OAB, que foi muito ofensiva em sua estratégia. Nas comarcas os servidores são fundamentais para que os advogados exerçam as suas funções e sempre têm buscado um tratamento cordial. Se há problemas locais e pontuais, a melhor solução é buscar soluções específicas para cada caso através das seccionais. O relatório apresenta informações de maneira leviana e engrossa de forma tendenciosa o discurso contra o serviço público, e isso nós não podemos aceitar.

25 Comentários

  1. Também fiquei triste e indignada, considerando que muitas ligações são de advogados que não sabem lidar com o sistema Eproc, e temos que dar aulas. Podiam usar o tempo dispendido para esse requerimento absurdo , para dar um cedo para os advogados. Sem contar as ligações das partes….pefindo informações de seus processos porque seus advogados não atendem.

  2. Colegas servidores, precisamos dar um BASTA nessa disseminação de ódio contra o serviço público! Esse discurso que a OAB engrossa vem sendo institucionalizado por meio das reformas contra o serviço público e a base da categoria não parece estar tão indignada.

  3. Ótimo! Encaminhem ao TJ para ser anexado ao pedido da OAB.

    Disse, ontem, em tom de brincadeira, que parece que o que a OAB quer é o seguinte: “servidor, pare imediatamente tudo o que está fazendo para atender o telefone, para que eu possa pedir pra você agilizar aquilo que já estava fazendo antes de eu ter te interrompido”.

    Um dia vão ter que entender que se ficarmos atendendo esses diversos meios de comunicação, os processos não se despacham e não se cumprem por si sós. Ai reclamam que atrasa o processo!

    A produtividade aumentou nesse período de pandemia não por acaso: tivemos mais paz e concentração para trabalhar, sem constantes interrupções de balcão e telefone.

    Parecem estar no caminho inverso: regredir e fazer com que sejamos cada vez interrompidos em plena atividade (fazendo com que percamos o foco e a linha de raciocínio).

    Precisamos nos concentrar nisso, pessoal do sindicato! Lutar por condições de trabalho, reconhecimento e paz para trabalhar!

    Lutar por direitos e salários é legal, mas se tivermos condições de trabalho (número mais justo de processos por servidor e magistrado, menos interrupções, menos sistemas, menos formulários, menos bancos de dados, mais atividade fim e menos burocracia etc etc etc) acho que todas as outras questões se tornam menos sensíveis.

  4. Importante que o Sindicato dê uma resposta adequada. Aquela resposta que estávamos esperando da direção do TJ, valorizando nosso trabalho, que não é pouco e que, infelizmente não tivemos. Estou mais indignada com o TJ do que propriamente com os advogados, que simplesmente constataram nossa eficiência em prontamente atender aos chamados e fizeram sua parte pressionando o TJ para obter o que pretendiam. Quem tinha que nos defender em primeiro lugar, não o fez. E seguimos com o sentimento de esgotamento, sem recursos humanos suficientes para atender tanta demanda.

  5. SEMPRE atendo fone e e-mail. Meu wats
    Particular está à disposição. Minha comarca não foi testada????????? COMO ASSIM? A ENQUETE SÓ CONTA PRA QUEM NÃO ATENDEU?????

  6. Ótima resposta, abrange largamente a nossa opinião sobre o tratamento da OAB para com os servidores nesta situação. O tribunal que não chama os concursados para preencher as vagas em aberto para nos ajudar a dar conta de tanto serviço eles não atacam.

  7. Ótimo, agora tomem coragem e encaminhem para OAB. Eu estou desde dezembro esperando pro meu advogado dar entrada num simples processo de inventário. Estou 4 meses esperando. Canso de ligar, enviar mensagem, a pessoa não dá retorno, faz de conta que não viu, se eu consigo falar com ele, diz qualquer coisa pra me enrolar, e cansei de ouvir da parte dele que os processos não andam e que o Judiciário é uma vergonha. Estamos trabalhando bem mais e agora com metas que os chefes de cartório cobram por trás das cortinas. Ganho 50 reais de aumento e gasto 100 só de energia elétrica fora as outras despesas. Se o computador quebrar a despesa é por minha conta. Não se assustem se daqui a pouco instalarem programa no computador de vocês pra verem quantas vezes vc bate o teclado, ato deixa a tela parada e câmera pra te vigiar! Pois é tudo o que querem, até parece uma união de esforços. E cada vez mais o dinheiro entra e pra mim pequeno trabalhador só sai. Quero ver minha situação quando entrarem os impostos que o Sr. Ministro Guedes já planejou pôr na minha conta do suor do meu trabalho.

  8. Ótima resposta. Deveriam utilizar o tempo para criar soluções para os problemas e não jogarem a culpa nos servidores públicos. Porque não lutam por sistemas integrados e unificados, cumprindo com um princípio básico da informática (informação automática). Aí sobraria mais tempo para atendimentos.

  9. Como advogado, acho covarde a OAB atacar os TJAs dessa forma, pois são os que mais ajudam nossa classe, sempre solícitos e prestativos.
    Agora quero ver a OAB agir com a mesma intensidade com os assessores e magistrados arrogantes e mal educados, pois estes sim são os que mais prejudicam os jurisdicionados.

  10. Maravilhosa a resposta. Como não é novidade, somos sempre atacados, mal valorizados e mesmo assim carregamos o Judiciário nas costas. Sem contar que os TJAs são os que tem menor remuneração. Nível Superior para os Técnicos Judiciários, quando chegará???? Exigências só aumentam, conhecimento que temos que ter também, mas valorização, onde está??????

  11. As entidades das categorias de trabalhadores estão equivocadas, pois atacam-se mutuamente, quando deveriam agir em conjunto.

    Por acaso os advogados não são trabalhadores? Por acaso os servidores públicos também não são?

    Ora, companheiros, se todos somos trabalhadores por que não direcionamos nossas energias ao grande causador de nossas mazelas?

    Já comentaram acima de que faltam servidores e essa falta, associada ao fluxo intenso de trabalho, tem gerado os transtornos correspondentes: de parte dos servidores, a sobrecarga; de parte dos advogados, a demora ou ineficiência do serviço. Ora, isso é para ser assim mesmo, sobrecarga de trabalho e ineficiência dos serviços. Não estão todos os TRABALHADORES sobrecarregados ou pressionados? Não estão com preocupações, angústia, medo e com pouca ou nenhuma esperança? Isso é resultado de algo maior, que vai além das entidades representantes das categorias em questão.

    Trata-se de resultado natural do capitalismo. Esse modo de produção é uma “máquina de moer gente”. Seus representantes e beneficiários direitos andam por aí sem qualquer inibição dizendo que é necessário “apertar mais”. Quanto ainda? Prometem R$ 44 bi de auxílio emergencial em troca do sucateamento dos serviços públicos, enquanto os serviços da dívida levam, anualmente, TRILHÕES girando em torno de 40% de todo o orçamento da União todos os anos. Isso falando apenas do sistema financeiro. “Que é isso, companheiro?” Trilhões que vão encher a burra de quem NADA PRODUZ na sociedade. E nesse momento, sobretudo, em que se nega sistematicamente, com “marteladas judiciais”, o DIREITO FUNDAMENTAL À SAÚDE E À VIDA. Tudo isso, com beneplácito de todas as “instituições democráticas”.

    Enquanto isso, estamos discutindo quantos toques dão um telefone, ou mensurando fluxos de trabalho no “Power BI”. Não é coisa de maluco? TRILHÕES disse acima. Mas não é só o sistema financeiro, caríssimos. Há outros LADRÕES e basta que reflitamos um pouco para identificá-los. De antemão, já digo que não se trata de crítica aos altos salários do funcionalismo ou mesmo aqueles ganhos estratosféricos dos parlamentares, pois no bolo, ainda que vergonhoso na realidade brasileira, é mero dinheiro de trocado.

    Companheiros, precisamos superar é o capitalismo. Nossa energia deve ser direcionada majoritariamente a atacar isso. Ou por acaso está dando certo para os trabalhadores? Quantas “reformas” e emenda à Constituição fizeram nesses últimos anos sem qualquer resultado prático para a classe trabalhadora? Melhorou alguma coisa? Nós que vamos aos supermercados temos visto objetivamente o quanto nos tem afetado isso tudo.

    Sugestão que faço ao Sinjusc é estreitar laços com as entidades de trabalhadores, seja a OAB, ou qualquer outra, para começar a debater a alternativa do SOCIALISMO e divulgar tal debate junto com a categoria.

  12. Importante salientar que a maioria das ligações, que eu atendo pelo menos, são de pedidos de “agilidade de processo”, em afronta ao princípio da impessoalidade que rege TODA a administração pública. Por isso o concurso público e servidores com autonomia para um melhor atendimento de TODOS não só alguns. SINDICATO e OAB, junto ao TJ, precisam é fortalecer o respeito à ordem cronológica dos processos. Na confusão que está abre margem aos privilégios!

  13. Ótima resposta e análise! Para ver: essa é valorização que o TJSC pratica com seus servidores, principalmente os que estão no cartório. Metas e mais metas, certificado digital, todos os processos no eproc em tempo recorde e nada de valorização! Daí o TJSC se baseia num relatório superficial e unilateral com dados que se contradizem. Se houve 80% dos atendimentos telefônicos foi uma média muito boa, considerando que muitos estão em casa e trabalhando em horários diferentes por vários motivos. E acrescento, esses 20% de falhas não foram perdidos, com certeza pediram por e-mail, portal ou ligaram novamente em outro horário/dia. E não tem motivo esse balcão virtual, pra quê? Vão querer ler o processo pela tela do computador???

  14. Temos que responder à OAB a altura, pois menosprezam os servidores, muitos são grosseiros conosco, porém não podemos responder a altura porque ainda poderemos ser punidos administrativamente… Este é o momento, concordo com o que foi dito acima e acredito que o maior problema é o fato de o telefone não indicar que está ocupado, as vezes, vejo três ligações simultâneas , mais é impossível atender ao mesmo tempo… Isso que procuro retornar as ligações para não deixar ninguém sem atendimento…

  15. Estamos vivendo um momento muito delicado mundialmente. E é cada vez mais certo o descarte do ser humano em substituição por robôs!

    Parece coisa de ficção científica, mas o mundo tem com a pandemia acelerado automação e utilização da IA (Inteligência Artificial).

  16. No Código de Normas já diz que as informações prestadas por telefone são de cunho geral. Se advogado quiser informação e explicação como funciona o sistema diga que ele entre em contato com o SAJ Suporte, SEEU Suporte, EPROC suporte e vá estudar. Porque nós estamos em casa aprendendo sozinhos. disponibilizando muito além do horário de jornada para darmos andamento aos processos por excesso de ligações e vias de resposta para advogados.

  17. Já passou da hora de o Sinjusc requerer diretamente ao Presidente do TJSC alguma bonificação para quem trabalha no cartório sem gratificação alguma. Com o E-proc estamos fazendo trabalho de contadoria e distribuição, além de os processos tramitarem muito mais rapidamente e, com isso, ocorre idas e vindas com muito maior frequência e o advogados e partes sempre pedindo agilidade no cartório. Agora, mais essa ferramenta do Balcão Virtual que não vejo lógica alguma. Porque já temos e-mail, telefone e portal. Então o cartório vai responder também por todas as solicitações/dúvidas dos gabinetes e de outros setores?

  18. 👏🏻👏🏻👏🏻 80% das ligações são sobre dificuldades no sistema eproc!! Em vez de contar o número de toques telefônicos nos atendimentos, a OAB deveria criar um curso sobre eproc. Diminuiria consideravelmente as ligações.

  19. Isso que não foi exposto pelo SINJUSC, que todos nós tivemos aumento na conta de LUZ, ter que colocar uma INTERNET mais rápida pra dar conta do serviço. E o TJ não esta cobrindo essas despesas a maior que estamos tendo.

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