Poesia contra a pandemia, por Lilia Monteiro, escritora e servidora de Blumenau

Em mais uma edição do SINJUSC MAIS, trazemos entrevista com a servidora da Comarca de Blumenau, Lilia Monteiro, que é autora de dois livros publicados e com novos projetos a caminho. As duas obras publicadas são baseadas em uma série de recordações e lembranças sobre infância do neto Luke Wygand, que tem miopatia nemalínica, uma doença que compromete o desenvolvimento motor. Lilia também leva refrigério aos seu leitores com poemas e crônicas que publica em seu blog online.

Em tempos de tantas incertezas, as palavras de Lilia são, claramente, uma conforto à alma. Obrigado, Lilia, por somar nesse projeto do SINJUSC. De coração aberto e na certeza de dias melhores, ansiamos novas publicações.

Há quanto tempo você escreve? 

Com publicações em revistas, blogs, entre outros, desde 2010. 

Quais foram suas primeiras leituras? 

Gibis, revistas em quadrinhos, livros do currículo escolar.

Que leitura é imprescindível na sua rotina? 

Um bom romance.

Se pudesse recomendar um livro aos leitores, qual seria? 

Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa.

Gênero favorito de escrever? 

Crônicas. 

Qual das tuas histórias te define? 

Minha história de adoção. 

Como nasceu sua vontade de escrever?  

A partir da minha dissertação de mestrado, a qual escreveria novamente.

É uma necessidade? 

Sim. Principalmente nos momentos mais tensos da vida. 

Conseguiria viver sem escrever?

Não.

Já publicou algum livro? Fale um pouco sobre eles, onde podemos adquirir?

Sim. Dois.

Em 2016, ano do nascimento do meu neto Luke, escrevi “Diários de um baby”, lançado em 2017, em português e inglês, pela Editora Oficina das Letras. 

A história, em forma de diários, dá voz ao Luke, que nasceu com uma condição genética rara, de nome Miopatia Nemalínica, na sua versão mais severa, e que compromete todos os músculos. 

Luke narra sua história a partir de seu nascimento, e transferido para uma UTI Neonatal onde ficou três meses até chegar em casa.

A versão em português do livro  “Diários de um baby” pode ser adquirida na Livrarias Catarinense. A versão em inglês pode ser adquirida na www.amazon.com.

Em 2020, lancei online (devido a pandemia) o meu segundo livro, “Os Diários de Luke Wygand” pela editora Construtores de Memórias.

O livro é uma continuidade dos Diários de um Baby, contando a história de Luke, esse menino valente, nos seus três primeiros anos.

Luke vive no Estado do Colorado (EUA), na cidade de Broomfield. Seus pais amorosos e criativos, e seu fiel “dog” Bolt, não medem esforços para fazer da vida desse menino valente, a melhor possível, educando-o como qualquer criança da idade dele, mas sempre considerando suas limitações físicas.

O livro “Os Diários de Luke Wygand” pode ser adquirido na versão em português no site do livro www.diariosdelukewygand.com ou nas seguintes plataformas:

www.blulivro.com.br

www.amazon.com.br

www.americanas.com.br

www.submarino.com.br

www.mercadolivre.com.br

Novos projetos?

A história do livro “Os Diários de Luke Wygand“, transformada em livro inclusivo para o publico infantil. O lançamento do livro “Os Diários de Luke Wygand“, no mercado americano e um livro de crônicas.

Poesia contra a pandemia?

Pandemia

Você trouxe tristeza, medo. O coração sofreu junto com aqueles que perderam seus amores.

Ficamos tensos, ansiosos e isolados, resistimos, repensamos prioridades.

Apesar de você, existe, ainda, solidariedade, generosidade.

Com você lembramos que a vida de cada um é muito mais que preciosa.

Você nos distanciou de quem amamos. Nos faltam abraços e afetos.

Com urgência insistimos no adeus, e num pacto, que de agora em diante, a resiliência e a sabedoria serão nossas bandeiras e seguiremos realizando coisas incríveis.

Qual poema seu recomendaria para o momento que passamos?

Tempo

Tempos sombrios! Talvez?
Tempo de darmos um tempo, mesmo diante do “não tenho tempo”
Tempo de olharmos para os nossos pequenos e perceber como o nosso tempo é importante para eles.
Tempo de silêncio.
Tempo de mais leitura.
Tempo de desordem na casa.
Tempo de colocar a casa em ordem.
Tempo de filhos e pais.
Tempo de netos e avós. Nesses tempos, muitas vezes de longe.
Tempo de escutar o canto dos pássaros.
Tempo de olhar a lua e as estrelas com mais tempo.
Tempo de aprendizagem.
Tempo de valorizar o tempo.
Tempo de quem escuta-nos
Tempo de escutarmos uns aos outros.
Tempo de afastamento e união de forças.
Tempo de renovar a nossa fé.
Tempo de valorizar àqueles que não podem parar nesses tempos.
Tempo de solidariedade.

Tempo, tempo, tempo… 

Às vezes não há mais tempo…

Como você analisa a iniciativa do SINJUSC de se engajar no fomento à educação, diversidade, cultura?

Acho extremamente importante. Viver sem educação, sem cultura é sucumbir a mesmice. Quanto mais engajamento de todos, mais pessoas entenderão sobre a importância desses pilares para uma vida independente e livre.

Sem educação e cultura talvez não conseguíssemos entender a beleza de ser diferente e todas as peculiaridades inerentes a cada um de nós. Talvez não entendêssemos sobre respeitarmos uns aos outros. Talvez não conseguíssemos explicar para os nossos filhos e netos sobre a beleza do mundo e a sua diversidade.

Poesia, qual é a importância em nossa sociedade?

A poesia está na simples contemplação do céu, da lua ou das estrelas. Está na beleza do voo de um pássaro ou quando ele, lindamente, pousa e canta na varanda.

Poesia está na escolha de um quadro na parede se flagrando a observar a paisagem e o talento nos traços do pintor. Poesia está nas linhas de um escritor, muitas vezes escondidas ou escancaradas, com dor, alegria e amor, e tantos outros sentimentos. Poesia está na semente pequenina que floresce para colorir nossos olhos ou nos alimentar.

Está no nascimento de um bebê ou no caminhar de uma pessoa, no auge da sua maturidade, após vivenciar muita poesia. Na festa de um cão, quando o seu dono chega em casa ou quando esse mesmo cão permanece, incansavelmente, mesmo diante de dificuldades, ao lado do seu “irmão humano”.

A poesia se insinua na forma como falamos e no jeito como olhamos uns aos outros. A poesia nos move, nos remove, nos sacode e nos transforma em quem somos. O mundo é poesia. Sem ela seríamos como um iceberg eterno.

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