Artigo| Contrato psicológico

Por Rossano Lopes Bastos e Mateus Graoske Mendes*

A partir do agravamento das questões relacionadas à saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras principalmente com a chegada da pandemia do Coronavírus em 2020, desenvolvemos um tema pouco abordado até então, que é o “contrato psicológico”.

O contrato psicológico pode ser definido como as expectativas não escritas e não ditas que os membros de uma equipe têm entre si, com os/as chefes e com a instituição ou empresa. O contrato psicológico é a percepção recíproca que os/as trabalhadores/as têm com a empresa em relação às suas obrigações e da empresa em relação aos trabalhadores/as.

Um exemplo para ilustrar isso é de um trabalhador que acredita que a instituição acordou em realizar certas ações, tais como uma promoção, em troca de “trabalho duro”.

Caso o trabalhador se dedique muito e não tenha sua expectativa atendida (ser promovido) ele pode entender como uma “quebra de contrato” gerando consequências como absenteísmo, desmotivação, frustração, etc. O contrato psicológico é um fenômeno subjetivo, cognitivo e que tem a ver com a percepção dos sujeitos e geralmente se inicia no “pré-emprego” – expectativas.

REPRESENTAÇÃO DO CONTRATO PSICOLÓGICO

1- OBJETIVOS INDIVIDUAIS DO TRABALHADOR
2- PENSAMENTO (PROCESSAMENTO, INTERAÇÃO, INTERPRETAÇÃO E ATRIBUIÇÃO DE SIGNIFICADOS)
3- CONTRATO PSICOLÓGICO

Em função destes objetivos individuais o trabalhador terá seus próprios pensamentos. Irá compreender as interações de determinadas maneiras e significar as coisas. Daí deriva o contrato psicológico com a instituição. Num segundo momento vem a busca por informações que corroborem ou não com suas significações. Temos então:

BUSCA POR INFORMAÇÕES
CONTRATO IMPLÍCITO (CONTRATO PSICOLÓGICO)
CONTRATO FORMAL (CARTEIRA ASSINADA, DO, ATRIBUIÇÕES DE CARGO)

Expectativa versus Realidade quando quebrada, causa desmotivação para o trabalho. Pensar em resoluções para questões de caráter tão subjetivo e ao mesmo tempo tão em comum na sua forma genérica de se mostrar no contexto mais amplo, nos leva obrigatoriamente a repensar as formas de organização e gerenciamento tanto das instituições e empresas de forma geral quanto dos pequenos espaços, as salas, repartições e demais espaços de trabalho compartilhados entre colegas e chefias.

QUAIS OS OBJETIVOS DA ORGANIZAÇÃO?

1- AGENTES ORGANIZACIONAIS (COLEGAS, SUPERVISORES, RH)
2 -OBJETIVOS
3- ESTRATÉGIAS DE CONTRATO (RELAÇÕES INTERNAS)

Pensar em contrato psicológico de forma clínica leva à reflexão do quanto esse conceito pode ultrapassar as paredes das organizações e fazer parte do nosso dia a dia nas relações sociais familiares, com a comunidade, etc. O “eixo” deste fenômeno parece habitar o campo das expectativas (simbólico/imaginário) com a realidade posta. (imaginário/realidade). O sujeito tenta dar uma resposta simbólica às suas expectativas imaginárias ao se defrontar com a realidade que na maior parte das vezes, não se equivalem aos seus ideais previamente construídos.

Tratar essa questão a partir de uma clínica social ampliada nos parece fundamental para entender os efeitos psicológicos disso em cada sujeito, remontando, ou rememorando sua construção ontológica enquanto sujeito.

Diante deste tão amplo conceito que merece um amplo debate, pode-se pensar como boa estratégia a constituição de grupos de estudo e de trabalho que debatam e desenvolvam estratégias de ação bem como a produção de podcasts, LIVES e/ou entrevistas para o enfrentamento deste assunto tão caro à saúde mental dos servidores e servidoras do judiciário catarinense.

  • Rossano é assessor do SINJUSC e livre docente em arqueologia brasileira; Mateus é psicólogo e também assessor do SINJUSC

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