ANITA E ANTONIETA, valentes catarinenses

Paula Schlindwein

Por Valfrida de Oliveira*

Nascida Ana Maria de Jesus Ribeiro, Anita foi uma mulher à frente do seu tempo: revolucionária, corajosa, desafiadora Valente e resoluta, não se submete às normas impostas pela sociedade e lutava por liberdade e justiça, interessando-se pela política do Brasil.

Em 1838, aos 18 anos, com a chegada dos rebeldes da Revolução Farroupilha, juntou-se às tropas comandadas pelo italiano Giuseppe Garibaldi, quando aprendeu a manejar espadas e armas de fogo, organizava hospitais para cuidar dos feridos e mesmo grávida, não abandonava os campos de batalha.

Além da Revolução Farroupilha no sul do país, lutou no Uruguai e também na guerra de unificação da Itália, ficando conhecida como heroína dos dois mundos. Deixou um legado de coragem, garra, força, liberdade e igualdade. Sua vida nunca foi fácil e precisou lutar contra todos os preconceitos machistas e patriarcais da época, contra a violência e abandono por parte do marido Manuel. Era julgada por ser uma menina que não aceitava as imposições que as mulheres sofriam à época e ainda hoje é criticada pelo que representou e representa para todas as mulheres.

Em 11 de junho de 1901, nascia Antonieta de Barros, aquela que seria a terceira mulher a conquistar um cargo eletivo no Brasil e a primeira Negra a assumir um mandato popular. Ativa defensora da emancipação feminina, da Educação de qualidade e do reconhecimento da cultura Negra, foi autora da lei estadual 145, de 12 de outubro de 1948, que instituiu o dia do professor e o feriado escolar, o qual somente foi reconhecido no país inteiro 20 anos depois.

Sua Bandeira política era o poder revolucionário transformador e libertador da Educação. Excelente profissional, adorava romper as barreiras e não se intimidava com os ataques da elite oligárquica e política que tentava intimidá-la, rebatendo-os com destreza, intelecto e determinação.

Jornalista, política, professora, lecionou nas melhores escolas de Florianópolis, em uma época em que as mulheres sequer tinham liberdade de expressão, contrariando a ordem que se queria fazer acreditar ser natural das coisas. Atuou fortemente em defesa ao direito das mulheres, em especial o direito ao voto feminino.

Duas mulheres: corajosas, destemidas, valentes que nos deixaram um legado de luta, desprendimento e enfrentamento. Anita Garibaldi e Antonieta de Barros, catarinenses que não se intimidaram diante das muitas dificuldades, escárnios, calúnias, desrespeito e difamação de uma sociedade misógina, machista e patriarcal.

Ainda hoje sofremos com tantas revezes, somos caladas, preteridas em cargo de chefia e comando, nossos direitos não são reconhecidos na prática e precisamos, a toda hora, provar a nossa capacidade. Todas essas demandas são pautas do feminismo de antes e de agora. Porém, a palavra feminismo incomoda pessoas e setores da sociedade. Essa parcela da população vê o feminismo de forma equivocada, acreditando ser algo que “quer acabar com a família, com a sociedade e com suas crenças limitantes”.

Ora, Anita e Antonieta foram feministas sem ter usado essa expressão, romperam barreiras impostas historicamente às mulheres. As feministas de hoje se inspiram nessas heroínas. Seguimos ampliando espaços na busca pela igualdade de gênero. Somos professoras; cientistas; médicas; juízas; psicólogas; garis; donas de casa; motoristas; pedreiras; vidraceiras; arquitetas; engenheiras.

Somos diversas, valentes, somos Anitas e Antonietas deste século, levantamos bandeiras por um mundo mais justo e equânime. Somos as avós que cuidam dos netos para as filhas poderem trabalhar e estudar, somos as filhas que ensinam suas mães, que não tiveram oportunidade de aprender a ler e escrever, somos as tias que dedicam tempo, amor e carinho a seus sobrinhos.

Somos esposas, namoradas, amantes, companheiras, somos aquelas que verificam se todas as portas e janelas estão fechadas quando todos já estão dormindo. Somos cristãs, ateias, agnósticas, muçulmanas, kardecistas espiritualistas, umbandistas, reikianas, candomblecistas, protestantes, politeístas. Somos aquelas que ao final do dia ainda encontram forças para rir um pouco, divertir-se com as amigas, tomar uma cerveja, sair para dançar e balançar a raba até o chão, somos um ombro amigo, mas também somos aquela que às vezes de tão cansada ou simplesmente por opção prefere ficar descansando.

A luta por igualdade e pôr fim à violência de gênero é de todas, o mundo carece de nossa união, e nossa luta nunca acabará. Enquanto uma de nós estiver sofrendo qualquer tipo de violência, lá estaremos todas nós com determinação, nos ajudando, nos defendendo e no final estaremos todas rindo ou chorando, mas abraçadas, guiadas pela sororidade, pelo senso de justiça, pelo inconformismo, pela causa: sabendo que nossa batalha é diária, é incessante.

A Central das Trabalhadoras e Trabalhadores do Brasil (CTB/SC), entidade plural e Classista, está unida aos setores progressistas da sociedade na luta por igualdade, moradia, comida no prato e trabalho digno e por meio da Secretaria Da Mulher Trabalhadora reconhece a luta da mulher como parte inseparável da luta de classe. Apesar das dificuldades e desigualdades continuarem, a tendência é a manutenção e o crescimento dessa participação feminina no mercado de trabalho.

Em decorrência dessa nova realidade, cresce em importância a necessidade de organização e mobilização das trabalhadoras, não apenas para ampliar as conquistas de gênero, mas sobretudo para fortalecer a luta da classe contra a exploração do capital. No entanto, precisamos de lutas específicas das mulheres, como igualdade salarial e oportunidades, é preciso criar as condições para incentivar a participação feminina nas organizações sindicais, sociais e políticas.

*Funcionária Pública Aposentada, graduada em Administração, dirigente da secretaria da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) fundadora e membra do Coletivo Valente e do Núcleo dos Aposentados e Pensionista (NAP) do SINJUSC.

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Esse texto foi originalmente e de forma exclusiva, escrito para a 6ª edição da Revista Valente. Para ler o artigo na revista ou ouvir o áudio texto, CLIQUE AQUI.

Um comentário

  1. Parabéns ao SINJUSC pelo esforço em fazer para os funcionários do TJ serem recompensados pelo seu trabalho conquistas importantes para a categoria. Trabalho no executivo e sinto inveja da competência de vcs. O executivo nunca fez nada para os funcionários, pelo contrário ainda retira as poucas vantagens que tem. Uma vergonha. Fico feliz por vcs conquistarem um pouco de alegria aos funcionários. Tbem tenho VPNI agregado. Enfim, felicidade para todos.

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