Às colegas servidoras que cotidianamente fazem a diferença no poder Judiciário;
Nosso reconhecimento.
Executiva do SINJUSC
8 de março de contínuas lutas
Ignez Busnello Durgante – Secretária de Formação Sindical do SINJUSC
As comemorações do 8 de março estão mundialmente vinculadas às reivindicações femininas por melhores condições de trabalho, por uma vida mais digna e sociedades mais justas e igualitárias. Num primeiro momento, a data resgata a luta das 129 operárias de Nova Iorque que foram queimadas vivas por reivindicarem uma jornada de trabalho já conquistada pela classe operária. Desde então, este dia representa a ousadia cotidiana das mulheres que, apesar dos direitos legais conquistados, se mantém ativas e organizadas para que na vida eles sejam respeitados.
Daquele 8 de março aos dias atuais avançamos em muitos aspectos. Ocupamos significativo espaços no mercado de trabalho, estamos nas universidades, nas deferentes profissões, nos órgãos públicos, no parlamento, na iniciativa privada, nos movimentos sociais... Nossas vidas se tornaram visíveis para o mundo - antes vista no âmbito das relações pessoais e do doméstico e agora tratadas politicamente, na esfera pública. De outra parte, segue sendo o contingente feminino da população o mais sujeito ao desemprego, aos baixos salários, ao assédio sexual e moral nas relações de trabalho, à violência nas relações domésticas, etc. Por isto, ainda temos que empunhar muitas bandeiras em defesa de direitos humanos renegados a muitas pelo simples fato de ser mulher
No âmbito do trabalho, especificamente no Judiciário catarinense, somos 61,4% dos servidores efetivos e comissionados. No quadro da magistratura, as juízas somam 26,9%, significando um expressivo avanço se considerarmos que a maioria delas ingressou nos últimos 15 anos.
Acompanhando essa escalada das mulheres no judiciário catarinense, constata-se que em nossa organização sindical 70% das delegacias sindicais são lideradas por mulheres. Na composição da Diretoria Executiva do SINJUSC também houve avanço: na gestão de 1998/2001 todos os cargos foram ocupados por homens; na gestão de 2001/2004 três servidoras fizeram parte da composição e na atual direção (2004/2007) são seis mulheres, ocupando 50% dos cargos de diretoria. Entre os diretores liberados, em 2006 ocorreu a primeira liberação de uma diretora e uma segunda liberação deverá ocorrer ainda esse ano.
Numa instituição de poder por natureza; autoritária e masculina por tradição, essas dados não são meras estatísticas. Eles representam avanços, mas sobretudo representam conquistas das mulheres se considerarmos os cargos providos por concurso ou, no caso do sindicato, por eleição. Bem verdade que os cargos superiores do Tribunal de Justiça estão muito distantes destas porcentagens. Atualmente dos 40 Desembargadores apenas 2 são mulheres e a história mostra que a Presidência da casa sempre foi masculina.
Do caminho percorrido, vemos que de março em março nós mulheres caminhamos muito e avançamos em todas as direções, mas cada vez mais tomamos consciência de que a organização das mulheres e dos homens de bem é fundamental na luta pela igualdade e a justiça social. Por isso, 8 de março é um marco de contínuas lutas.